Espiritualidade e música: A relação do rock com ocultismo e satanismo.

“Onde está a música? Você pode encontrá-la nas cordas vibrando, no bater dos martelos, nos dedos que tocam as teclas, nas notas escritas na partitura e até nos impulsos no cérebro do pianista. Mas são apenas códigos. A realidade da musica é uma forma invisível, misteriosa e difusa que desperta algo nas pessoas sem estar presente no mundo físico.” (Deepak Chopra).

Talvez após a busca por água, alimento e sexo, a música e a religião surgem na natureza humana como respostas às necessidades mais aparentes no cotidiano das pessoas. Povos e tribos desde os primórdios da história buscam transcender pela espiritualidade e arte, se expressando e se aproximando de divindades.

Não poucas vezes esses dois elementos se misturam dando origem há uma poderosa arma na tentativa de preencher lacunas interiores e influenciar terceiros.

A religião se beneficia da música como meio de propagação de suas mensagens, já a produção artística usa a espiritualidade como elemento temático para inspiração.

Ainda hoje há em muitas culturas indígenas, por exemplo,  é comum o uso da música e de drogas alucinógenas, como condicionador para criar uma atmosfera propícia para cerimônias ritualísticas, com danças e transes.

Na Europa Santo Agostinho dizia que “Cantar uma vez é rezar duas.”, pois a aplicação de estruturas melódicas potencializaria a capacidade humana para si ligar com o divino.

Mas praticamente sempre o que havia, envolvia uma crença já estabelecida, com a vinculação de um conceito musical culturalmente aceito, ou mesmo desenvolvida para esse fim, é o caso da música sacra que eram entoadas nas igrejas cristã no século XVI.

Não foi assim com o rock, pois este surgiu com características totalmente antagônicas do que si estava produzindo artisticamente até então, assim o gênero se estabeleceu em oposição a cultura vigente, utilizando os símbolos e termos que remetem a tudo que de pior existiria para religiosidade ocidental.

O rock foi o primeiro ritmo musical que tomou posse de maneira intensa de temáticas quase que proibidas, utilizando uma maneira agressiva, que combinava peso, velocidade e muitas vezes elementos sombrios.

Black Sabbath

Black Sabbath

Pela sua forma e conteúdo, o estilo sofreu críticas e acusações de que muitas de suas músicas estariam fazendo apologia ao diabo e disseminando suas mensagens; há ainda quem afirmasse, baseado no texto bíblico de Ezequiel 28 13-18, que Lucífer, antes de sua queda, era ministro de louvor, o que fortalece ainda mais a ideia do rock como criação do anjo caído, pois ele seria um profundo conhecedor da arte, utilizando, assim, dos seus potenciais para disseminar o mal.

O rock seria então uma distorção de uma música, dita como pura e santa criada por Deus (já que ele não teria poder para criar nada, apenas contaminar e distorcer a criação).  Mas conforme o versículo 14, sua função deveria ser a de sentinela: “Tu eras querubim da guarda ungido…”, já o ministério de louvor, ficaria a cargo dos Serafins conforme Isaias 6.1-3.

Mas se esse rótulo, a princípio, marginalizou o segmento, posteriormente foi muito utilizado como forma de publicidade para autopromoção. No ano de 1976 o roqueiro David Bowie, declarou a revista Rolling Stone: “O Rock sempre foi a música do Diabo… Acredito que o Rock seja algo muito perigoso… Acho que nós artistas e grupos de rock somos apenas o meio de uma mensagem: algo muito mais obscuro do que nós mesmos.”

Essa referência de algo que está para além de uma simples música para entreter, estaria ligada com componentes do ocultismo e satanismo, que embora sejam muitas vezes considerados a mesma coisa, são ambos distintos entre si.

O ocultismo, simplificadamente, seria o que está relacionada com a prática da busca pelo o que está encoberto. Essas práticas têm suas origens na antiguidade, com civilizações como a egípcia, tendo forte ligação com a alquimia (uma espécie de química primitiva). Posteriormente os seus conteúdos foram organizados por Helena Blavatsky, estudiosa das ciências ocultas, que supostamente teria poderes paranormais.

Já o satanismo (diferente do ocultismo) é uma religião, que como o nome já sugere, tem por finalidade a adoração ao Diabo, e propagação de seus ensinos.

A verdade é que não há como negar essas influências em inúmeras bandas de rock, e mais acentuadamente no Heavy Metal; e não há como falar dessa temática enigmática na música, sem citar o nome de Aleister Crowley, conhecido de todos que si interessam por ocultismo moderno e história do rock.

crowley

Crowley, durante quase toda sua vida, se dedicou ao estudo do ocultismo, esoterismo, alquimia. Era defensor da busca exacerbada pelo prazer como sinal de liberdade humana; a sua frase “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei. Todo homem é um indivíduo único e tem direito a viver como quiser.” , representa bem sua contestação as restrições e princípios judaico-cristão.

Os escritos deste homem foi uma das maiores fontes de inspiração para as primeiras bandas dos anos 70, se tornando, com o tempo, um dos maiores influenciadores para o rumo que alguns segmentos do rock tomaram, ideologicamente falando. Ozzy Osbourne provavelmente é um dos artistas que mais utilizou referências do mago, inclusive com uma canção chamada “Mr. Crowley”. No Brasil, Crowley ganhou notoriedade através da música “Sociedade Alternativa” de Raul Seixas.

Justamente nesse período de ebulição do estilo, a Igreja de Satã surge institucionalizada, tornando mais nítido que haveria um vínculo entre essa religião e a a popularização do rock. Nesse momento aparece o nome de outro indivíduo: Anton Szandor LaVey, o fundador da religião satanista organizada.

Daí em diante nasceram diversas vertentes e subgêneros do rock, dentre as quais, as da linhagem do Metal Extremo, como o Death Metal e Black Metal, que estão enraizados em elementos  macabros da realidade humana.

A banda de Thrash, Slayer, é uma das mais conhecidas pela utilização de símbolos e letras carregadas de referências satânicas.

Image

Trecho da música “Angel of Death”, de 1986.

Auschwitz, o significado da dor
A maneira que eu quero que vocês morram
Morte lenta, imenso declínio […]

Anjo da morte
Monarca do reino dos mortos
Sádico, cirurgião da morte
Sadista do mais nobre sangue

Destruindo, sem piedade
Ao benefício da raça Ariana

Cirurgia, sem anestesia
Sinta a faca te perfurar intensamente
Inferior, sem uso de humanidade
Amarrado e gritando para morrer […]

Bombeado com fluído, dentro do seu cérebro
A pressão no seu crânio começa a empurrar
Entre os seus olhos
Carne queimando, cai em pedaços
Teste de calor queima sua pele […]

Costurados juntos, cabeças grudadas
Apenas uma questão de tempo
Até vocês se dilacerarem em dois

Milhões deitados em seus
túmulos abarrotados
Repugnantes caminhos para realizar
o Holocausto

Mares de sangue […]

Patéticas vítimas inofensivas
Abandonadas para morrer […]

Anjo da morte
Monarca do reino dos mortos
Infame sanguinário,
Anjo da morte

 

O escritor alemão Thomas Mann, em seu texto “A Missão Da Música No Mundo Moderno”, descreveu, com ares de profecia, o que surgiria apenas após sua morte, com bandas como Black Sabbath e Led Zeppelin.

 “A música é um grande mistério. Em virtude de sua natureza sensual-espiritual e da surpreendente união que ela realiza entre a regra estrita e o sonho, a razão e a emoção, o dia e a noite, ela é sem dúvida o mais profundo, o mais fascinante e, aos olhos do filósofo, o mais inquietante dos fenômenos […] A palavra ‘harmonia’ significa música, mas apenas secundariamente; originalmente, quer dizer matemática. Mas o mundo não é todo ele acordo e harmonia de esferas; ele possui tendências irracionais e demoníacas que os gregos não desprezavam, mas procuraram dominar e integrar em sua religião. Assim o culto de Eleusis adorava as forças obscuras do mundo inferior […] Se o mundo é música, inversamente, a música é o reflexo do mundo, de um cosmos semeado de forças demoníacas. Música é número, a adoração do número, é álgebra ressonante. Mas a própria essência do número não conterá um elemento de mágica, um toque de feitiçaria? A música é uma teologia do número, uma arte austera e divina, mas uma arte em que todos os demônios estão interessados e que, entre todas as artes, é a mais suscetível ao demoníaco […] E os sacerdotes e mestres da música são os iniciados, os preceptores desse ser duplo, a totalidade demoníaco-divina do mundo. É a esperança de uma humanidade que, ao invés de reprimir e portanto exasperar o irracional, aceita francamente, venera e portanto santifica essas forças demoníacas e coloca-as ao serviço da cultura.”

Agora, partindo do pressuposto que de fato existe influencias espirituais atuando entre nós, tanto para o bem quanto o mal, até que ponto a arte pode ser um instrumento/canal para entidades malignas? E quais são os limites quando se trata da utilização de temáticas demoníacas?

A história mostra que não há como se envolver com esse tipo de coisa e não sofrer com sequelas, ou no caso de obstinação nesse caminho, um desfecho trágico. A entrega consciente e premeditada, para ser um instrumento a serviço das trevas, pode levar a um estágio irreversível, onde no coração não há mais espaço para arrependimento, impossibilitando a libertação da alma. (ver Marcos 3.28-29, 1 João 5.16-17).

O pastor Richard Wurmbrand, no seu livro “Era Karl Marx Um Satanista?”, dá um exemplo disso; lá é mostrado fortes evidências, através de correspondências, poemas e relatos de pessoas, que apontam que o fundador do Comunismo, era, de fato, adorador de Satã, (mesmo que os mais apaixonados não gostem de admitir ou amenos cogitar essa possibilidade), e que sua luta era na verdade contra Deus, e não o Capitalismo.

Sobre o fim da vida do filósofo, ele escreve: “Marx morreu em desespero, como todos os satanistas. Em 25 de maio de 1883 ele escreveu a Engels: “Como a vida é insípida e vazia, mas como é desejável!.”

De qual que forma, o certo é que a realidade não é feita de apenas coisas bonitas e agradáveis, ela e constituída de ódio, violência e injustiças, e não abordar esses temas é como fingir que uma boa parcela de realidade (que nós, os seres humanos construímos) não existe, a própria Bíblia faz menção de assassinatos, traições, estupros, suicídios, enfatizando intensamente sobre Satanás e o mal, afinal isso era uma realidade e não dava para ser indiferente a ela.

Por exemplo, no salmo 139.21-22 está escrito: “Não aborreço eu, ó Senhor, aqueles que te aborrecem, e não abomino os que contra ti se levantam? Os aborreço-os com ódio consumado; para mim são inimigos de fato.”

Essa passagem é forte e descreve um sentimento que todo ser humano está sujeito a sentir, mas não deve ser distorcido como pretexto para alimentar sentimentos de vingança, pois não dá para ler esse texto nessa perspectiva, é só uma questão de bom senso.

Ou ainda: “Filha da Babilônia, que há de ser destruída, feliz aquele que te der o pago do mal que nos fizestes.  Feliz aquele que pegar em teus filhos e esmagá-las a pedra.” (Salmos 137.9). Com certeza não são bem aventurados aqueles que esmagam a cabeça de crianças contra rochas, só um sínico ou desequilibrado destorceria isso.

O que eu quero dizer com isso é que na maioria dos casos, realidade influencia as músicas, e não o contrario; nesse sentido, no geral, não é o rock que prega o Diabo (o que é claro que acontece), mas o diabo que há nas pessoas é retratado nas canções, o que é totalmente diferente. A meu ver, o problema não é abordar esses assuntos, mas manter relacionamento entidades malignas sendo induzidos por elas, e/ou ser um militante da ideologia.

E como existem pessoas que escutam músicas que falam do amor de Deus como forma de apreciação, e que se interessam pela leitura da Bíblia, sem se converterem, é possível escutar músicas com conteúdos sombrios, sem com isso ser necessariamente influenciado negativamente, somente enxergando tudo em uma perspectiva puramente artística, filosófica, cultural e de entretenimento, sem obsessão ou paranoia, como também posso assistir filmes que abordem a temática do horror, e ler um livro que fale sobre espiritualidade pagã.

Acho que essa é uma questão individual, que envolve maturidade e discernimento, e que em muitos em casos, fica difícil dizer se uma pessoa passou dos limites saudáveis de onde se retém o que é bom (1 Tessalonicense 5. 21), em que o interior começa a entrar em processo de degradação; e isso não só em relação a música, mas tudo, dinheiro ou seja lá o que for, por isso Paulo escreve:

“A fé que tens, tens para ti mesmo perante Deus […], e […] tudo que não provém de fé é pecado.” (Romanos 14. 22-23).

Mas se um cantor ou banda rock, forró ou qualquer outro ritmo, estão ou vão se envolver com satanismo ou qualquer gênero de malignidade, quem faz assim, vai arcar com implicações de sua insensatez, colhendo os frutos de suas escolhas, como também uma pessoa em qualquer área da vida, que anda de forma sínica na pratica do mal “[…] dará conta de si mesmo a Deus” (v. 12).

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